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NICE TO MEET YOU
Kríscia é uma garota chata de tanto que pensa e anseia coisas. Finge que estuda e trabalha porque prefere viver. Adora comida japonesa, cerveja,sorvete e beijo na boca. Sexo só com amor. Acredita em duendes e num futuro melhor. Olha primeiro pro umbigo e geralmente fica nisso mesmo. Costuma fingir que tem classe. Costuma fingir que é firme. Chora de raiva, ri de nervoso, morre de tristeza. É insegura por natureza, transparente por opção. Tem o coração alado mantido no cabresto por um golpe do destino. Cicatriz de apendicite escondida a sete chaves e um piercing no nariz exibido com orgulho. Combina calcinha e sutiã e brinca com malabares em raves. Aprendeu a duras penas a viver um dia de cada vez e tem havaianas roxas.
Escrito por mim às 09h21
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AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA ou COMO FUGIR DE SI MESMA
Um dia desses eu tava na rua tomando cerveja. Muita mesmo. E numa daquelas rebordosas de bêbado, liguei pro Pseudo. Uma vez. Nada. Duas vezes. Nada. Comecei a chorar convulsivamente no banheiro do bar. Muitas garotas tão bêbadas quanto eu ou mais vieram ser solidárias ao meu sofrimento. (?), enquanto as sóbrias riam do quanto as bêbadas podem ser nonsense. Eu chorei porque pensei que a Cicarelli ou qualquer dessas mulheres gatonas tinham roubado ele de mim e que ele não me atenderia até pensar num jeito adequado de me dizer que estava tudo acabado entre nós. E quando eu pensava isso, chorava mais. Saí do bar sem pagar a minha parte e despenquei pra casa dele. Longe, muito longe, escuro, muito escuro, esburacado, muito esburacado. Cheguei no portão, respirei fundo e tentei fingir que estava sóbria. Patético. Interfonei:
PSEUDO SOGRA - Oi. KRITZ - Oi. PSEUDO SOGRA - Quem é? KRITZ - Kritz. Pseudo está? (devo ter enrolado a língua porque o nome do pseudo é mais complicado do que inconstitucionalissimamente) PSEUDO SOGRA - Não, quer entrar e esperar? (pausa para o meu mundo cair e eu chorar mais até entupir o nariz e a meleca escorrer) KRITZ - Não precisa, dona Pseudo-sogra, vou ficar aqui porque ele deve estar chegando. (dois minutos que mais pareceram 752 horas na minha cronometragem embreagada, pra aparecer Pseudo. Sozinho. Pelo menos isso. Porque esfregar a Cicarelli na minha cara assim já seria demais.) KRITZ - Oi. * chuif, chuif * PSEUDO – Oi, por que você ta chorando? KRITZ - Porque eu te liguei e você não me atendeu e chuif, chuif, buá, buá, buá, buááááááá! PSEUDO - Tu bebeu, Kritz? KRITZ - Só duas latinhas. (a cada 15 minutos nas últimas quatro horas.) PSEUDO - O que houve? KRITZ - Te amo. PSEUDO – O QUÊ? KRITZ - Preciso fazer xixi.
SÓ PRA CONTROLE
Uma segunda-feira que amanheceu chovendo em plena seca brasiliense. Foi uma luta levantar da cama e ter que trabalhar em pleno feriado está me fazendo sentir uma ameba. Eu mudei o meu status de relationship no orkut e isso está me causando pesadelo, uma verdadeira crise existencial. Acho que é o alerta vermelho piscando, me mandando adotar os procedimentos de segurança que eu, obviamente e como não poderia deixar de ser, não tenho idéia de quais sejam. Estou com vontade de abraçar alguém e chorar um pouco. De boa, na camaradagem.
Escrito por mim às 12h51
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EU QUERO FALAR UMA COISA
Eu achei o cara que quando recebe flores minhas fica com o olho cheio d’água e me chama de “feia” do jeito mais lindo do mundo em vez de guardar um arranjo lindo dentro da mochila porque tem vergonha de sei lá o quê. Eu achei o cara que me liga no meio da noite pra dizer que é louco por mim e que morre de medo de que eu vá embora um dia. Eu achei o cara que escolhe o perfume e a cueca pensando em mim. Eu achei o cara que espalha pelo quarto dele milhões de fotos minhas. Eu achei o cara que olha dentro do meu olho e diz que eu sou linda, que fala pra qualquer um que passa na rua que eu sou linda, que tem orgulho de mim e me exibe pra todo mundo. Eu achei o cara que grita descontrolado quando fica com ciúme de mim e chora descontrolado quando eu choro por causa dele. Eu achei o cara que faz eu sentir aquele frio na barriga que a gente sente quando está balançando bem alto num balanço de parquinho.* Eu achei o cara que faz eu me emocionar com Fábio Júnior.** Eu achei o cara que me faz ficar com o olho cheio d’água só de pensar que ele existe. Eu achei o cara que me faz simplesmente não lembrar dos que já existiram. Eu achei o cara que me fez rever os meus conceitos. Eu achei o cara que me fez apaixonar.
...
Pronto, falei.
*Valeuzão, Cara. **Obrigada, Queridona.
DAS NUANCES DOS RELACIONAMENTOS MODERNOS - III
KRITZ – Te dou um doce se você adivinhar quem tá fazendo uma matéria comigo na Unb! PSEUDO – Tua prima? KRITZ – Não. PSEUDO – Ana Paula? KRITZ – Não. PSEUDO – O papa, caralho, sei lá! KRITZ – Não. PSEUDO – Então quem? KRITZ – Lú, meu ex-namorado. (cara de paisagem) PSEUDO – COMÉ QUE É? KRITZ – LU-MEU-EX-NA-MO-RA-DO, do verbo era e não é mais. PSEUDO – Não aceito. Não gostei. KRITZ – Como assim não aceita? Eu não posso fazer nada. PSEUDO – Tu falou com ele? KRITZ – Falei, claro. PSEUDO – Durante quanto tempo? KRITZ – Uns 15 minutos, acho. PSEUDO – 15 MINUTOS? E que tanto de assunto era esse pra conversar durante longos 15 minutos? KRITZ – Coisas como: “e aí, como está sua mãe, pai e namorada e quando é que você vai cortar esse cabelo horrível?” PSEUDO – Tomaram uma cerveja pra lembrar os velhos tempos? KRITZ – Claro que não Xuxu, somos só amigos, só tenho olhos pra você... (cara de paisagem II – a missão) PSEUDO – Não me chame de xuxu, não quero nenhum apelido terminado em U! KRITZ - 
Escrito por mim às 15h11
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FIM-DE-SEMANA
Acordei cedo pra um sábado. Não porque eu seja uma garota saudável que curte o sol da manhã, mas porque minha adorada tia e vizinha cria galinhas. Na verdade as galinhas são quase galinhas e o galo é quase um galo, o que faz ele cacarejar desafinadíssimo, como um bom frango adolescente. Além de cacarejar desafinado, cacareja a partir das três da madrugada. Uma boa sinfonia para a madrugada de um sábado. Depois de espantar uma vaca da minha janela (juro!), tomei um banho, passei chapinha na juba e vesti a minha calça da gang. Tinha planejado um churrasco daqueles em que se toma vodka com tampico, pitu com coca, dançam-se pagodes do Katinguelê e se pula na piscina de blusinha branca no final. Estava empolgada e poderia dar uns pega num gatinho-playboy-bombado-que-lustra-as-mulheres-e-transa-com-o-carro que eu já tô de olho há mó tempão. Mas meu irmão truculento e dócil me lembrou gentilmente que Pseudo existia e que eu deveria, pois, dar alguma satisfação. Eu disse que não daria satisfação a ninguém porque sou uma mulher moderna e independente, pago minhas contas (*mentira*) e por isso iria só. Meu irmão me olhou levantando aquelas sobrancelhas engraçadas que ele tem e disse que se eu não ligasse imediatamente pro Pseudo ele mesmo se encarregaria de delatar toda a minha falcatrua quando Pseudo ligasse. Então eu liguei pra avisar e só convidaria se não tivesse outro jeito. Liguei uma vez. Nada. Liguei duas. Nada. Pensei em ligar a terceira, mas como sou uma garota esperta, 23 anos de praia e sabia que se ligasse de novo corria o risco de ele atender, desisti da idéia. Retoquei o meu perfume de alfazema e quando estava saindo de casa, o telefone da minha casa tocou. Meu irmão atendeu. Meu coração acelerou e eu pensei: “oh, não, macacos me mordam, se for o Pseudo eu tô fodida e não vou poder estrear a minha calça da gang nova!” Era o próprio. Como eu sei que ele me acha a mulher mais gostosa, bonita, simpática, sexy e atraente do planalto central e por isso mesmo acha que todos os homens do mundo vão querer me ter pra sempre, eu inventei uma história qualquer daquelas em que se mistura vovós gagás, primos pirralhos chatos e tios bravos e ciumentos e só depois convidei Pseudo, que muito prontamente reclinou do meu convite porque tinha que dar banho no cachorro que ele não tem. Inventei inocentemente. Porque sou uma garota que preserva a paz dos relacionamentos e não gosta de brigas ou ódio no coração. Eu tinha um churrasco pra ir, uma missão social pra cumprir e ele com certeza não entenderia. Principalmente se visse os meus trajes. Parti em disparada não sem antes parar no posto de gasolina pra comprar um cigarro Derby e uma 51. Assim que cheguei vi o meu playboy bombado se atracando com uma garota de cabelo ruim que usava uma calça da Gang falsificada. Depois disso não me lembro de muita coisa, porque matei a minha garrafa de 51 e só fui melhorar da bebedeira quando caí na piscina. Droga!
Escrito por mim às 16h11
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