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EU NÃO MORRI, MAS ESTOU CHATA
Pois então. A minha vida continua. Eu emagreci uns quilos, três ou quatro. Não que eu tenha me pesado, mas algumas calças minhas estão caindo. Rodei em duas matérias na Unb, por falta. Fiquei desesperada, em estado de choque. Então liguei pra professora e disse que minha mãe tinha sido assassinada na cadeia, por isso não tinha podido comparecer às aulas. A professora disse que nós não tínhamos culpa das coisas que nossos pais faziam de errado, me abençoou, disse três ou quatro palavras de macumbaria e me passou dois trabalhos cabulosos pra segunda-feira, que eu não comecei ainda. A minha monografia ainda está só no rascunho mas até que eu to tranqüila porque um colega meu que teve como orientador esse mesmo professor, entregou uma receita de bolo de chocolate e passou com SS. As minhas receitas de bolo de chocolate são boas, vai dar tudo certo. Começou BBB5 e o esquema é o mesmo de sempre: mulheres burras e/ou gostosas que estão lá pra posar pra Playboy ao final, os pobres, os pedantes e os playboys. É a hora feliz lá em casa, em que super pai e eu discutimos sobre o quanto o ser humano é nojento. Estou com olheiras absurdas, tem semanas que como sanduíches do mc donalds enquanto dirijo pro trabalho e o meu carro parece uma lata de lixo reciclável, de tanta embalagem de papelão. Se eu não for jubilada da Unb – torça por mim, pelo amor de Deus – vou ficar até o final de 2005 sem tomar banho, vou depilar o contorno duas vezes no mês e não vou tomar cachaça por um ano. Macacos me mordam, não é possível que Deus vai fazer vista grossa pra tanto sacrifício! Faltam 18 dias pra eu completar 24 anos e eu tenho um namorado e um amante, mas nenhum futuro marido. Os búzios insistem em dizer que eu vou ficar encalhada, não há quem me suporte. Estive pensando em fazer a minha lista de presentes pretendidos, que tal?
Escrito por mim às 18h35
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EU SOU ADULTA E POSSO PROVAR
Primeiro foi quando eu ganhei um carro, depois de ter passado no vestibular. Eu ganhava uma merreca que me fazia escolher entre colocar gasolina no carro ou almoçar. E cada saída de casa era friamente calculada, pra economizar. E eu era tão miserável e filha da puta que tinha coragem de cobrar pela gasolina pras pessoas que eu porventura desse carona. Um ser bastante estúpido eu era, concordo. Mas todo o problema veio quando eu percebi que, do nada, meu pai já não mais perguntava que horas eu voltaria. Ele perguntava pra onde eu ia e só.
KRITZ: Pai, vou pro quinto dos infernos com umas amigas que fumam maconha todo dia e cheiram pó só nos fins de semana, usam saias curtas e não transam de camisinha. SUPER PAI: Tá bom, mas leve um casaco e tranque a porta ao sair.
Depois, quando arrumei um emprego melhorzinho e encontrei Jesus, andava pra cima e pra baixo no meu corsa branco porpunidado, lotado de amigas não menos porpurinadas. Dirigia bêbada e dava cavalinhos de pau na esplanada enquanto cantava pagodes de grupos paulistanos fuleiros. Meu pai começou a reinvindicar que eu, como moradora da casa dele, contribuísse com as despesas.
SUPER PAI: Estive pensando, você poderia pagar a água, luz o telefone, IPTU, condomínio, empregada e jardineiro aqui de casa, já que tem emprego. Eu perdi o meu, não tenho pai, não tenho mãe, minha tia tá doente e não pode trabalhar, é melhor pedir do que roubar! KRITZ: Os meus tíquetes-alimentação e nenhum centavo a mais! SUPER PAI: Fechado.
A parte grave foi quando ele simplesmente não perguntava mais aonde eu ia e ainda dava algum palpite (monossilábico, claro, porque homens não sabem diferenciar rosa de lilás, o que no caso do meu pai é mais grave, já que ele é daltônico e confunde verde com marrom e cinza com azul) sobre as minhas super-produções fashion nas roupas.
KRITZ: Pai, qual dos dois sapatos combina mais? SUPER PAI: O verde é mais elegante, combina com o cinza da blusa. KRITZ: O sapato é marrom e cinza é a massa que te falta no juízo, pai! SUPER PAI: Ah, dê um desconto, estou sem óculos. KRITZ: ¬¬
Até que um dia eu dormi fora sem conseguir avisar em casa. Fiquei preocupada já que sempre aviso cada peido e arroto que dou e ligo de quinze em quinze minutos pra dar notícias. (mesmo porque meu pai tá tão tranqüilo que nem deve ter mais o número do meu celular). Como era dia de semana, fui direto pro trabalho e não encontrei ele. Conversando com a minha prima, que trabalha com ele, pelo messenger, falei:
KRITZ: Pergunta se meu pai recebeu o recado de que eu dormi na Ana. PRIMA: Não recebeu. KRITZ: Mas eu mandei uma mensagem no celular do meu irmão (já que meu pai, além de ser legal não sabe mexer no próprio celular pra ler mensagens) pra avisar que o carro da Ana quebrou e fui dexá-la em casa, acabei ficando por lá. PRIMA: ... KRITZ: O que ele disse? PRIMA: “Mas que beleza!” KRITZ: Ele ficou puto? PRIMA: Não. KRITZ: (em pensamento) COMO ASSIM ELE NÃO FICOU PUTO?
E depois de episódios como esse (e depois de ter acabado de me atentar para o fato de que pago água, luz o telefone, IPTU, condomínio, empregada e jardineiro aqui de casa) eu cheguei à conclusão de que as pessoas ao meu redor me consideram adulta, mesmo eu gostando da Hello Kit e assistindo Bob Esponja. Coitados!
Escrito por mim às 15h36
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O QUE ACONTECEU FOI O SEGUINTE
Todos sabem que eu entendo de computadores, internet, modens, etc e tal tanto quanto entendo sobre ser uma garota responsável na Faculdade. Por isso mesmo lancei mão de um amigo liiiiiiiindo que me ensinou tudinho sobre como instalar modens, pelo telefone, com aquela paciência de Jó bem no começo das sacanagens que Deus fez com ele. Pois bem. O meu amigo liiiiiiiiindo me explicou tudo. Por telefone. O modem do Pseudo funcionou. A internet funcionou. E Pseudo me implorou perdão por ter duvidado da minha capacidade internética (ou então da competência dos meus contatos) pra fazer aquela bagaça funcionar como deveria. Aí foi a glória. Eu obviamente perdoei, mas não sem antes fazê-lo ajoelhar e se humilhar muito. Mas o problema todo ficou na mensagem que o amigo lindo me mandou na noite de reveillon, quando estávamos eu e Psedo num hotel chique e fino, virado pra Esplanada, esperando o show de 15 minutos de fogos plebeus, coisa bem de povão mesmo. Com Sidra e tudo. A mensagem dizia: nunca vou esquecer de você, adorei tudo! Você é uma pessoa maravilhosa. Feliz 2005. Hum, eu deveria dizer que instalou-se no nosso quarto de hotel chique a 3ª guerra mundial quando Pseudo leu a mensagem. Mas foi pouco. Acho que uns três tsunamis explicam de leve a confusão toda. Devo dizer que tentei, veementemente, explicar pro Pseudo que a mensagem se referiu à festa de despedida que fizemos pro tal amigo liiiiindo, que estava indo embora pra Passárgada, porque lá, sim, ele é amigo do rei. Mas não adiantou. Pseudo preferiu achar que os elogios se referiam às minhas manobras sexuais mirabolantes que não deixaram o amigo me esquecer. Ou ao meu perfume embreagador, ou ao quanto eu fico sexy quando uso saia no joelho e óculos fundo de garrafa no trabalho. Foi uma virada de ano de merda, você não tá entendendo... Sem mais para o momento.
Escrito por mim às 18h36
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